t>0

On that day, Bernardo fired off a question to the public: "If the music industry thinks downloading music is a crime, what can we say about payolas, which apart from being a crime, is organized?"

Payola Radio: Alternative Frequency

The rapper is one of the creators of the End Payola Movement, which mobilizes artists calling their attention to the "policy" from commercial radio stations to charge for playing songs. — The CD from the label isn't affordable anymore, and there's no reason a record needs to be so expensive.

Nesse dia, Bernardo disparou um questionamento para o público: "Se a indústria fonográfica diz que baixar música é crime, o que dizer do jabá, que, além de crime, é organizado?".

Freqüência alternativa à da rádio do jabá

O rapper é um dos criadores do Movimento Pelo Fim do Jabá, que mobiliza artistas chamando a atenção para a "política" das rádios comerciais de cobrar pela veiculação de músicas:

— O CD da gravadora não é mais acessível, e o preço do disco não tem razão de ser tão alto.

t>0

They say it's the cost of production but marketing itself has to pay for it to play, which makes marketing's budget raise and as a consequence the album's price increase: it's an insane snowball.

Eles falam que é o preço da produção, mas o próprio marketing tem que pagar pra tocar, o que faz aumentar o orçamento do marketing e faz aumentar o preço do disco: é uma bola de neve louca.

t>0

In the end what's at risk is our culture. It's not by coincidence that the songs that play on the radio are always the same.

No fim, o que está em risco mesmo é a cultura nacional. Não é por um acaso que são sempre as mesmas músicas que tocam na rádio.

t>0

The idea of putting songs up on the internet comes from the will to speak to the largest number of people as possible, to open the taps on all we do, since the space on radios is ridiculously limited.

A idéia de botar as músicas na internet vem da vontade de falar para o maior número de pessoas possível, desaguar mesmo nossa produção, já que o espaço nas rádios é ridiculamente limitado.

t>0

It doesn't make sense to hold on to that — who would buy it?Above and beyond that, BNegão doesn't fit into the the handful of commercial Brazilian radio stations: your music doesn't attract crowds, it doesn't play in 8 pm soap opera and it's not choreographed by Faustão's (a well know Brazilian TV presenter) dancers. Any chance with the masses? It's better to be on the growing of a niche market, a phenomenom generated by the fall of production and distribution costs, allowed by new technologies - not to mention the end of physical space (stocks and shelves, for instance) for a culture that now runs without support.

Não fazia sentido segurar: quem iria comprar?

Além de tudo, BNegão não tem o perfil das rádios comerciais brasileiras, atualmente restritas a poucas emissoras agrupadas em rede: sua música não arrebanha multidões, não toca na novela das oito e nem é coreografada pelas bailarinas do Faustão. Alguma chance com as massas? Melhor apostar no crescimento dos mercados de nicho, fenômeno gerado pela queda nos custos de produção e distribuição propiciada pelas novas tecnologias — sem falar no fim da limitação de espaço físico (estoques e prateleiras, por exemplo) para uma cultura que agora circula sem suportes.

t>0

(The dismediatization provided by technological advances and by the concept of portability is expanding far beyond cultural products like music, literature and film: what to say about the Second Life's Linden Dollars, isn't it the start of dismediatization of money itself and all it can buy?) Chris Anderson, editor-in-chief of Wired magazine, one of the most respected publications in terms of innovation, published in his book "The Long Tail" ("A Cauda Longa", Campus/Elsevier) his theory showing that technological development, in making the physical plane less and less important, fosters a change of focus of culture and economics: best sellers cease to be as important for the market as niche products.

(A desmidiatização proporcionada pelo avanço tecnológico e pelo conceito de portabilidade vem se expandindo para bem além dos produtos culturais como música, literatura e cinema: o que dizer dos Linden Dollars do Second Life, senão que pode ser o início da desmidiatização da própria moeda e de tudo que ela pode comprar?)

Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, uma das publicações mais respeitadas em termos de inovação, publicou em seu livro "A Cauda Longa" (Campus/Elsevier) sua teoria que demonstra que o desenvolvimento tecnológico, ao tornar cada vez menos fundamental o meio físico, propicia a mudança de foco da cultura e da economia: os best-sellers passam a ter tanta importância no mercado quanto os produtos de nicho.

t>0

That make us think about plenty of chaotic potentials. How to choose from what's good from what's not? That's where Anderson talks about the importance of a "trusteeship" of information through recommendation, now made not only by "authorized" agents (specialized media), but by each one of us - through virtual word of mouth in blogs, social networks and forums. The power of the community is, therefore, essential for the success of business models based on the Long Tail.

O que nos faz pensar em uma abundância caótica de possibilidades. Como separar o que é bom do que não presta para mim? É aí que Anderson fala da importância da "curadoria" de informações através da recomendação, agora exercida não somente pelos agentes "autorizados" (veículos especializados), mas sim por cada um de nós — através do boca-a-boca virtual dos blogs, redes de relacionamento e fóruns de discussão. A força da comunidade é, pois, fundamental para o sucesso de modelos de negócios baseados na Cauda Longa.

t>0

As the book says: "The first force, the democratization of production, populates the tail. The second force, democratization of distribution, makes all offers available."

Como diz o livro: "A primeira força, a democratização da produção, povoa a cauda. A segunda força, democratização da distribuição, disponibiliza todas as ofertas.

t>0

But that's not enough. Only when the third force, which helps people find who and what in this new superabundance of variety, goes into action,

Mas isso não é o suficiente. Só quando a terceira força, que ajuda as pessoas a encontrar o que querem nessa nova superabundância de variedades, entra em ação, é que o potencial do mercado da cauda longa é de fato liberado".

Mas, e aí?

Se, quanto mais a obra circula, maior é seu valor de mercado, cai por terra a visão tradicional do fonograma como produto final.

t>0

As ineffective as all attempts at trying to bar the circulation and distribution of audio files on the network, phonograms are repurposed as the most efficient "promotional" piece and one of the possible (and real) products: experiencing the creative power of the artist, live.

Assim como se mostram ineficazes todas as tentativas de barrar a circulação de arquivos de áudio na rede. O fonograma se reconfigura como a mais eficiente peça "promocional" de um dos possíveis (e reais) produtos: a experiência da fruição artística ao vivo.

t>0

Em conferência para agentes da indústria fonográfica mundial reunidos no MIDEM (Mercado Internacional de Música), realizado em Cannes no final de janeiro, Chris Anderson sentenciou para uma platéia obviamente relutante: "Tudo aquilo que está ligado ao formato digital será gratuito.

t>0

Serão as outras experiências musicais, isto é, aquelas que não são duplicáveis até ao infinito, que vão ser pagas".

John Perry Barlow, co-fundador da ONG Electronic Frontier Foundation (EFF), defende em seu famoso artigo "The Economy of Ideas" que "a economia da informação, na ausência de objetos, será baseada mais no relacionamento do que na possessão". O artista, a partir da repercussão de seu trabalho na web, percebe que o suporte físico não mais se justifica e que o fundamental é conquistar seu público de forma sensível e inteligente.

t>0

According to Barlow, in the context of new technologies, money isn't made with the music, but through it.BNegão claims to be living off music in its more ample sense: his main source of income are concerts, not CDs — be them sold at gigs, or the ones the indie label Tratore puts on stores.

Segundo Barlow, no contexto das novas tecnologias, o dinheiro é ganho não com a música, mas sim através dela.

BNegão diz viver de música no seu sentido mais amplo: sua principal fonte de renda são os shows, não os CDs — sejam os vendidos nos espetáculos, sejam os que a independente Tratore coloca nas lojas.

t>0

By the way, it's interesting to note a freely downloadable album staying all this time in the distributor's top charts.

A propósito, é interessante notar um disco disponível para download gratuito figurando praticamente todo esse tempo na lista dos mais vendidos da distribuidora.

t>0

The actual CD has sold 15 thousand copies (between magazines and stores), but Bernardo points out that the repercussion was even bigger overseas, where the tunes only arrived via internet.

O CD físico já vendeu mais de 15 mil cópias (entre revista e lojas), mas Bernardo destaca que a repercussão foi ainda maior no exterior, onde o som só chegou pela internet mesmo.

t>0

E solta uma sonora gargalhada ao falar da incrível desatualização de seu site, para depois argumentar que o novo já está pronto para entrar no ar, que às vezes não dá tempo (além dos shows no Brasil, para este ano estão previstos também um festival no México e uma turnê pelo verão europeu, incluindo aí um festival em Portugal), que no próximo disco querem estar mais preparados... naquela calma...

— Com o "Enxugando Gelo", aconteceu assim: lançamos, rolou de forma viral pela internet, a coisa foi fluindo sem muito planejamento, com uma divulgação meio tosca, e nós fomos avançando.